Melhoramento Genético

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Agregando valor ao seu negócio

A genética, como ferramenta de melhoramento, evoluiu muito na sua capacidade de entregar ao produtor soluções que atendam às suas necessidades específicas. Esta evolução veio na forma de maior confiança naquilo que realmente podemos esperar quando utilizamos determinado pacote genético.

O melhoramento genético é uma poderosa ferramenta que visa agregar valor ao negócio leite, gerando maiores oportunidades de incrementar a lucratividade do produtor. Quando encarado desta forma, fica mais claro e objetivo todo e qualquer trabalho genético em uma propriedade. Não é difícil entender que, quando selecionamos para melhorar características de produção, podemos esperar animais que gerem maiores volumes de leite e sólidos. Quando esta seleção vem acompanhada de características que visam dar maiores condições a estes animais de aumentar a produção e permanecerem mais tempo produzindo nos rebanhos, o ganho financeiro é ainda maior. Indo mais além, quando selecionamos para características que irão agregar mais saúde para estes animais, termos animais mais produtivos, mais longevos e mais eficientes, culminando em uma valorização ainda maior de cada unidade de produção de nosso rebanho. A seleção voltada para esta eficiência e lucratividade envolve a atenção em algumas características importantes na escolha dos touros a serem utilizados no programa genético. Confira algumas dicas de como trabalhar de forma prática a seleção de touros.

 

Produção

Todos os touros com prova de progênie (filhas) ou avaliação por genoma apresentam provas que traduzem sua capacidade de transmissão ou seu valor genético para características de produção. Devemos buscar um correto equilíbrio entre volumes de leite, gordura e proteína e teores de sólidos. Para isso, é importante observarmos as seguintes características:

  • PTA ou EBV Leite - pode ser expresso em libras ou quilos. Busca-se um valor que esteja ao menos um desvio padrão acima da média da população do país de origem do touro analisado. Desta forma, estaremos garantindo o aumento constante do potencial genético de nosso rebanho para volume de produção de leite.
  • PTA ou EBV Gordura e Proteína – da mesma forma, será expresso em libras ou quilos. A seleção para valores acima do desvio padrão da média do país, irá auxiliar no aumento dos volumes produzidos.
  •  PTA ou EBV % Gordura e Proteína – expressos como desvios percentuais em relação às médias dos países. A seleção para valores positivos de teores, em conjunto com valores acima de um desvio padrão para os volumes de leite, irá garantir um continuado aumento no potencial genético dos animais para teores de gordura e proteína.

Além da seleção para produção, devemos atentar fortemente para as características que irão assegurar a longevidade produtiva dos animais. Isso implica em selecionar prioritariamente para características que têm alta correlação positiva com a capacidade de a vaca permanecer por mais tempo produzindo nos rebanhos. O resultado desta forma de seleção são animais extremamente funcionais. Vejam as principais características relacionadas à longevidade.

 

Conformação Funcional

Dentro das características de tipo funcional, as que mais têm correlação com longevidade são:

  • Profundidade de Úbere – vacas de úbere profundo deixam os rebanhos mais rapidamente. Desta forma, aliada à seleção para produção, devemos buscar touros que produzam filhas com profundidade de úbere correta, ou seja, onde o piso de úbere permaneça acima da linha imaginária do jarrete. Esta é uma característica que não devemos abrir mão na seleção.
  • Inserção do Úbere Anterior – mais uma característica de grande impacto na capacidade de permanência das vacas no rebanho. Esta é uma característica onde notamos uma maior demora em corrigir, pois o que chamamos de herdabilidade é menor. Isso, em termos práticos, significa que demoramos mais gerações para conseguir os resultados esperados. Sendo de tanta importância para a longevidade, não podemos abrir Mao do uso de touros que sejam, pelo menos, um desvio padrão acima da média do país do touro avaliado.
  • Vida Produtiva ou Vida Útil – esta é uma característica de relação direta com permanência produtiva no rebanho. Apesar de ser calculada inicialmente na vida dos touros em cima de características indiretas, segue como sendo importante no processo de seleção, pois, aliado à correta seleção das outras duas características mencionadas, irá contribuir diretamente para o aumento da permanência produtiva dos animais do seu rebanho
  • Aprumos Vista Posterior – esta característica indica o quanto o touro é capaz de produzir filhas que caminhem com os jarretes mais paralelos na visão posterior. Uma das mais importantes características de aprumos posteriores, não devemos deixar de selecionar touros positivos aqui.

Finalmente, como mencionamos, queremos vacas eficientes, sadias e que tenham menor custo de manutenção. Isso implica em vacas com mais saúde. Vacas que tenham maior resistência a mastite, vacas que emprenhem mais rapidamente e vacas que tenham habilidade de parto melhor. Quando aliamos estas características com produção e as características de conformação funcional mencionadas, estaremos efetivamente provocando um melhoramento genético voltado para lucratividade. As principais formas de seleção para saúde são:

  • Score Células Somáticas - encontrada em quase todas as provas de touros atualmente, esta característica expressa a média de contagem de células somáticas nas filhas dos touros. Quando analisamos as provas, devemos ter em mente que a média é o valor 3,00 e que, quanto menor este valor, melhor é o touro para produzir filhas que, na média, terão menor contagem de células somáticas que suas companheiras de rebanho. Isso implica em maior produção de leite, maior oportunidade de permanecer por mais tempo no rebanho e um menor custo de produção, gerando maior eficiência.
  • Fertilidade das Filhas – outra importante característica que determina a maior eficiência de nossas vacas. Medida de formas diferentes em países diferentes, devemos estar atento ao modo como a característica foi avaliada dependendo do país de origem da prova que estamos analisando. De qualquer forma, é um indicativo correto da capacidade das vacas em emprenharem mais cedo após o parto. Isso é uma grande vantagem se quisermos mais produção e melhor eficiência reprodutiva nos nossos animais.
  • Habilidade de Parto das Filhas – um ótimo indicativo de como as filhas do touro analisado, em média, desempenham no parto e também, em alguns países, retratando a sobrevivência das bezerras logo após o parto. Um parto sem assistência, normal, é o grande início de qualquer lactação e influencia fortemente na eficiência reprodutiva da vaca.

Ainda quando consideramos a questão saúde, não podemos deixar de mencionar os recentes avanços no que denominamos Imunogenética. Esta ciência dedica-se a descobrir quais os touros e vacas que apresentem capacidade imune maior e são, portanto mais resistentes a doenças. A imunogenética ganha muita força, pois suas respostas mostram-se mais sólidas nos processos de seleção do que quando somente do uso das características de saúde mencionadas.

Não poderíamos deixar de mencionar o avanço na utilização de bezerras e jovens touros com avaliação por genoma nos processos de seleção genética. No lado das jovens fêmeas, muitos produtores estão selecionando suas reposições baseado na avaliação genômica das bezerras, atentando para as características mencionadas acima. Esta é uma forma de avançarmos muito na seleção, pois unimos o uso dos melhores touros com as melhores fêmeas do rebanho. A genotipagem de bezerras já é fato comercial no Brasil e utilizado por muitos produtores. No lado dos machos, cresce cada vez mais o uso de jovens touros com avaliação de genoma. Mais uma vez, o que estamos conseguindo com isso é a drástica diminuição do intervalo entre as gerações, aumentando assim o progresso genético. Touros com baixo potencial genético que eram colocados nos testes antigamente, hoje são eliminados sem chance de colocar sua genética na população. A genômica é, sem dúvida, uma das mais fortes revoluções positivas na seleção genética. Obviamente que a confiança nos valores genômincos não é da mesma dimensão do que quando analisamos os números de um touro provado com filhas. Desta forma, alguns cuidados são recomendados, como por exemplo, usar de 35 a 50% de touros genômicos no rebanho. Usar um grupo de touros ao longo da temporada (geração) ao invés de usar apenas um touro. Recomendamos de 5 a 10 touros. Isso faz com que o risco seja diluído, aumentando em muito a confiabilidade dos números para o grupo. Outra dica é procurar utilizar touros genômicos de pedigrees diferentes, evitando uma mesma linhagem dentro do grupo selecionado. São cuidados que visam diminuir os riscos na utilização de touros com avaliação por genoma, mas não podemos deixar de trabalhar com este avançado material genético nos nossos processos de seleção.

 

Conclusão

O melhoramento genético deve ser encarado como uma ferramenta de aumento da lucratividade nos rebanhos. Devemos selecionar características que tenham forte correlação com a capacidade de gerar animais produtivos, longevos e sadios. Desta forma, estaremos objetivamente selecionando para incremento da eficiência e maior rentabilidade dos nossos animais.

Med. Vet. Claudio Aragon
Jurado Nacional e Internacional Raças Jersey e Holandesa
Diretor Leite empresa Semex do Brasil

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